
Depoimentos sobre as mudanças climáticas para o Clima em Ação

ANDRÉ LIMA Coordenador do projeto RADAR, Clima & Sustentabilidade
“Eu comecei a trabalhar com meio ambiente em 1992 na área do direito ambiental. Em 1992, ocorreu um grande encontro, a ECO 92 das Nações Unidas (ONU) que reuniu duas centenas de países para discutir as questões climáticas. Após definir regras, metas, objetivos e caminhos para o enfrentamento dos problemas das mudanças climáticas, assim como os gases do efeito estufa na atmosfera, esse grande acordo virou uma lei internacional para os países conseguirem reduzir suas emissões. Desde então, essas convenções ocorrem. Também trabalhei por quatro anos no SOS Mata Atlântica, 10 anos no Instituto Sócioambiental, fui coordenador do ministério do meio ambiente até 2015 e em 2015 secretário de estado do meio ambiente no Distrito Federal.
Entre 2008 e 2013, eu pude ajudar a coordenar um plano que reduziu em 85% o desmatamento da Amazônia, mais de 10 bilhões de árvores deixaram de ser derrubadas. Também construí um galpão de reciclagem que está dando oportunidade para mais de 2.000 catadores de lixo, que agora podem trabalhar em condições mais dignas e não em lixões a céu aberto. Atualmente, estou com um programa de recuperação e restauração florestal, estamos utilizando uma inteligência artificial para mapear e identificar propriedades e proprietários rurais que tenham interesse em fazer a restauração.“

“A questão ambiental é cada vez mais urgente, a crise climática vem sendo discutida e debatida em nível nacional internacional com muito rigor desde 1970, desde a conferência do clima em 1972 na Suécia. Desde então precisamos cada vez mais nos inteirar do assunto e discutir sobre essas questões. Principalmente no Brasil, em relação a economia e meio ambiente por uma questão de subdesenvolvimento, pois somos um país ainda em desenvolvimento na questão climática e este assunto representa entraves na visão de alguns, principalmente do governo. É necessário preparar, conciliar, planejar uma economia de baixo carbono e também fortalecer a produção orgânica de pequenos proprietários rurais, pois estes são os principais objetivos nesse momento de crise climática.“
LUCAS LIMA
Professor de Economia

CACO DE PAULA
Diretor da Agência AUÁ BRASIL
“Eu olho para esse tema com a perspectiva de uma pessoa de 60 anos. Passei 10 anos trabalhando com meio ambiente, comecei a trabalhar em um jornal aos 17 anos num período de ditadura militar, e por volta de 1977 e 1978 ocorreu uma evolução da visão jornalística com relação ao meio ambiente e também da ciência nesse período. Ainda assim, é muito recente a discussão sobre ambientalismo no contexto do jornalismo brasileiro. Naquela época, era praticamente ausente essa discussão, a não ser em jornais de contracultura. É importante lembrar que foi criado também um sistema na Constituição de 1988 para o ambientalismo e que neste momento está sendo desmontado pelo governo que prega ações anti clima e anti ciência. Observa-se com isso, cerca de 60% de aumento na média de queimada, além das mentiras e fake news sendo espalhadas. Pois o governo atual tem uma política ultra liberal muito ignorante. Mas há esperança, se olharmos agora o resultado das últimas eleições nos países nórdicos, a população está voltando num ideal de esquerda novamente e recusando esse tipo de liderança destrutiva do meio ambiente.“



ISIS BERGONCI
Ativista em relações públicas na Youth Climate Leaders
“Um estudo de 2017 realizado pela Climate Policy Initiative Brasil apontou que a legislação brasileira é uma das mais rigorosas do mundo e coloca o Brasil na liderança mundial em relação à proteção ambiental. Contudo, o grande desafio do nosso país é cumprir a legislação. Para isso, é necessário desenvolver a questão ambiental como uma política pública transversal. Indo além, é necessário que nossos líderes vejam que o momento e os recursos que o Brasil possuem podem transformar o Brasil e torná-lo protagonista na nova economia do século XXI, através da implantação e fomento da bioeconomia e do mercado de carbono, por exemplo.
Os efeitos das mudanças climáticas não são exclusivamente algo a ser percebido no futuro. Em diversas partes do planeta, incluindo o Brasil, há um agravamento nos extremos
climáticos que vem ocasionando o aumento das ocorrências e da intensidade de furacões e de inundações, por exemplo, atingindo a infraestrutura das cidades, prejudicando os setores sociais e econômicos e, principalmente, a população mais pobre. No Brasil, ainda que haja eventos da mesma magnitude, as mudanças climáticas manifestam-se predominantemente na mudança do regime de chuvas, principalmente devido ao desmatamento da Amazônia, promovendo o aumento da estiagem e acarretando na maior dificuldade de produção de alimentos, no aumento da inflação e na crise energética.
Se não houver uma guinada de agenda pública internacional de enfrentamento às mudanças climáticas, há uma forte tendência de mudança conjuntural nas dinâmicas naturais, econômicas, sociais, geográficas e culturais no planeta. Além do aumento dos desastres naturais já citados, a alteração climática pode ocasionar na proliferação de vetores desconhecidos do contato humano (pandemias, são um exemplo), migrações forçadas, crises humanitárias entre outros fatores. “

“Já estão claras ameaças muito graves da crise climática, como a desertificação do semiárido, o risco de um ponto de inflexão na floresta amazônica (a partir do qual mesmo interrompendo o desmatamento uma parte grande do bioma se converte em savana), assim como a ameaça aos recursos hídricos do Sul e do Sudeste e severos impactos sobre as populações vulneráveis.“
SÉRGIO BESSERMAN
Climate Reality
Deixe seu depoimento:

