
Negacionismo climático e fake news: Qual a realidade por trás da desinformação?
Consultar o fact-checking tem sido cada vez mais necessário para o cenário que compete às notícias falsas ou enganosas
por Clima em Ação. Publicado em 05 de novembro de 2021
Quem nunca se deparou com milhares de informações falsas espalhadas por todo o mundo? Mensagens que circulam nas redes sociais, boatos, vídeos, memes. No entanto, qual é a realidade por trás do termo fake news?
Atualmente com o período pandêmico que vivemos, há mais pessoas sentadas em frente ao computador apurando fatos do que nas ruas. Com isso, é possível escrever um texto, editar vídeos, gravar áudios e disponibilizar o conteúdo na rede com facilidade. A internet colocou nas mãos dos profissionais e da população, a possibilidade de obter rapidamente a informação necessária para complementar suas matérias e espalhar informações. Entretanto, a convergência de mídias nem sempre significa maior qualidade do produto informativo.

Reprodução. Por Markus Winkler/Banco de Imagem
Como resultado, existe cada vez mais uma enorme circulação da desinformação e isso precisa ser combatido, já que, também perpassa as grandes campanhas no cenário político e econômico do país. Por exemplo, o que mais tem repercutido ultimamente, são temas ligados às vacinas, postura dos políticos e a “liberação” do uso de máscaras nos lugares.
Por outro lado, há também uma conscientização por parte de algumas empresas de redes sociais e veículos de comunicação sobre essa problemática e como isso pode ser danoso a longo prazo, principalmente quando o negacionismo está impregnado no indivíduo, por isso, o crescimento do fact-checking contribuiu muito para esse processo de reversão.
“O impacto do negacionismo climático já está bastante claro. Ao confundir o debate público, os negacionistas atrasaram e desidrataram medidas fundamentais para reduzir o impacto do ser humano no clima. Hoje chegamos em um ponto em que parte das mudanças climáticas já estão acontecendo e não são reversíveis. Se continuarmos no ritmo que estamos, nossas medidas não serão eficazes para evitar cenários mais drásticos de mudança. Então não há como sobredimensionar o impacto do negacionismo no planeta.Além disso, há toda uma agenda para frear as mudanças climáticas que está parada por conta do negacionismo climático do atual governo”, comenta Chico Marés, coordenador de jornalismo da Lupa.
Outra problemática que precisa ser considerada é que no mês de Setembro, o presidente Jair Bolsonaro revogou a nova Lei de segurança nacional, mas vetou a punição para quem disseminar notícias falsas. Ou seja, vivemos em um cenário político que já propagou muitas inverdades no Brasil, por conta do seu negacionismo. Portanto, saber votar é importante.
Haja vista, que o negacionismo já gerou um clima de perseguição a pessoas e instituições que defendem a preservação do meio ambiente como a Greta Thunberg e as instituições estabelecidas como o Greenpeace. Além disso, os algoritmos ou - informações pré-selecionadas- trazem uma qualidade de consumo de conteúdo e economia de tempo, ou seja, aparecem de acordo com os conteúdos que você navega na internet. No entanto, é importante se atentar a isso, uma vez que pode gerar bolhas.
O Youtube, por exemplo, tem grande influência na disseminação do conteúdo desinformativo porque dá mais visibilidade e indica rapidamente para mais pessoas. No entanto, no caso dos profissionais, isso atinge os princípios do bom jornalismo no que se refere ao informar.
Nesse sentido, a desinformação também afeta a produção de políticas públicas. Então, até onde vai o poder do clique? Se não nos tornarmos conscientes sobre a informação que estamos prestes a espalhar, pode ser alvo de ataques e críticas, amplificar mentiras e causar ainda mais descredibilidade ao seu conteúdo.
Verificação dos Fatos

O Fact - checking é a checagem de fatos, termo para evitar conteúdos com grau de inverdade ou exagero disseminados pelo mundo, uma “especialidade” do jornalismo. São mais de 114 times de checagem de fatos em 47 países e há uma rede internacional de Checagem de Fatos (International Fact- Checking Network - IFCN).
É imprescindível que os jornalistas tenham cautela e pesquisem boas fontes de informações para evitar essa disseminação de desinformações, como sites que tem um repositório de dados confiáveis como é o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e a Nasa. Aqui no Brasil, para avaliação de mitos e fatos referente às mudanças climáticas, o Fakebook. eco e para a versão em inglês, o Skeptical Science.
O jornalista é um contador de histórias, mas que deve trabalhar com conteúdos verídicos. Assim como relata Chico Marés, que checam as provas documentais da veracidade ou falsidade de uma determinada afirmação e “acaba sendo útil para desmontar narrativas criadas a partir de informações falsas, mas menos útil para traduzir o efeito das mudanças climáticas para uma linguagem mais compreensível para o leitor”.
O Código de Princípios da Rede Internacional de Verificação dos Fatos em Poynter Institute viabiliza 3 graus de transparência: (1) Transparência de fontes; (2) Transparência de financiamento e (3) Transparência de metodologia de trabalho.
Portanto, como consta no artigo 4 do Código de Ética dos jornalistas brasileiros: “O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade no relato dos fatos, razão pela qual ele deve pautar seu trabalho pela precisa apuração e pela sua correta divulgação.”. É importante que o jornalista não ignore esses preceitos para que assim possam ainda mais colaborar na construção do bom jornalismo.
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