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Os desafios entre o papel da mídia e a cobertura jornalística

Até onde vai a liberdade de expressão do jornalista quando o assunto é transmitir a sua mensagem?
por Clima em Ação. Publicado em 04 de novembro de 2021

A crise climática é pauta urgente que tem ganhado cada vez mais visibilidade, principalmente devido ao COP 26, Conferência das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas que tem por objetivo demonstrar os compromissos atuais e como evitar uma série de catástrofes. No entanto, como funciona uma cobertura jornalística e como ela pode evidenciar a complexidade dos cenários?

 

Daniela Chiaretti, repórter especial do Valor Econômico, nos contou a sua experiência: “fazer uma cobertura jornalística é como ir sozinha para o cinema. Você cresce na troca. Quando vou somente com o fotógrafo geralmente ele observa algo que eu não tinha visto e fica ainda mais interessante. Depende muito da cobertura, quando é sobre a COP, são coberturas muito competitivas, milhares de jornalistas e informações o tempo inteiro. Isso desafia um pouco o nosso tempo e embora tenha feito várias coberturas, sempre me dá um frio na barriga.” 
 

Representação. Banco de imagens 

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Vale dizer que, nós, enquanto emissores e receptores, temos que estar conscientes das informações que recebemos e estamos prestes a espalhar ou informar o leitor. Apurar se determinado conteúdo é realmente uma notícia, se trata apenas de um meme (forma de entretenimento) ou desserviço. Pois, nos últimos anos, a tecnologia tem ganhado espaço para protestos, as coberturas de conflitos, guerras, política, assuntos polêmicos, manifestações, encontros sociais ou amorosos. Estamos vivenciando negligências e omissões o tempo todo. 

A sociedade e, porque não, a mídia tradicional vêm sofrendo os impactos da desinformação, ainda mais com a facilidade da internet em propagar com rapidez “informações” que amplificam uma mentira ou conteúdo enganoso. Além disso, há por parte da população uma luta contra a censura e a busca por mais liberdade de expressão, principalmente quando a própria imprensa desinforma.

 

“A imprensa tem um papel fundamental na conscientização da população, principalmente em comunicar os efeitos das mudanças climáticas no dia a dia. As mudanças climáticas ocorrem em uma velocidade assustadora de um ponto de vista geológico e até histórico, mas do ponto vista de um ser humano trata-se de um período longuíssimo, a ponto de se tornar abstrato. É importante que a imprensa torne essa noção vaga em uma compreensão mais concreta dos fenômenos”,  afirma Chico Marés, editor de jornalismo da Lupa. 

 

Nisso, o fact- checking surgiu como meio de combater essas desinformações que acabam afetando áreas como política, economia, políticas públicas e, principalmente, o meio ambiente. Portanto, o único jeito de garantir que esse processo seja legítimo e eficiente é pesquisar, refletir, debater, buscar conteúdos com pesquisadores, especialistas e pessoas que promovem a educação midiática, como o canal Reload, composto por dez agências jornalísticas do Brasil direcionada para jovens.  

O jornalista contribui para uma transformação na sociedade, apontando as questões que estão acontecendo com ética profissional e respeito ao interesse público. As narrativas que já estão postas, mostram histórias.

 

Um acontecimento muito importante que deu início às inúmeras discussões e relatórios que vemos hoje sobre o clima, no mundo, foi a primeira Conferência das Nações Unidas no Brasil, em que a agenda 21 era um dos principais assuntos de debate com o intuito de viabilizar ações que pudessem contribuir para o desenvolvimento socioeconômico e a preservação ambiental. 

 

Chiaretti participou desse evento fazendo a cobertura jornalística disse que na época, enquanto havia vários jornalistas homens e fotógrafos do sexo masculino, ela era a única mulher: “Ali se formaram as convenções do clima, biodiversidade e desertificação e eu vi esse processo acontecendo. Logo depois teve o impeachment do Collor e esse assunto saiu de foco e voltou depois. É um processo que vai em ondas. Hoje está mais forte. Quando o clima não era importante eu trabalhei na editoria geral da Folha que me deu jogo de cintura para entrevistar pessoas diferentes, embora eu gostasse do meio ambiente e achasse que o clima é uma questão muito forte. É um fenômeno que molda nossa vida. Natureza não se negocia.”. 

 

Vale destacar também, que a ciência perpassa pelo processo de comprovação e aliada ao jornalismo, tem a verdade como um conceito relativo, apresenta hipóteses e vai atrás de soluções. Mas não basta somente confiar nela, é preciso se abrir a questionamentos e treinar o seu senso crítico. Os menores erros acabam servindo de munição para o negacionismo. Por isso a apuração dos fatos tem que ser extremamente rigorosa e o texto deve traduzir ao leitor o fenômeno com clareza.

 

Como, por exemplo, o discurso da linguagem que está presente na notícia, é importante compreender o que está sendo exposto e o que tem de ideológico por trás, pois pode ser um conteúdo sensacionalista ou imediatista ou de fato, promover uma educação midiática. Exemplo disso, é a evolução da linguagem do IPCC.

 

Por fim, Chiaretti revela que “uma das características do jornalista independente da nossa geração é ser curioso e desconfiado. Você tem que ter uma postura mais distanciada, o máximo que puder. Como a gente vive um jornalismo de tempo real é muito fácil você carregar na casca de banana. Cada um tem o seu perfil, eu prefiro recuar um pouco. Mas ir para um terreno mais seguro. Eu fico desconfiada.” 

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