
Fridays for Future Brasil: o papel do ativismo de Greta Thunberg
O movimento Greve pelo Clima começou em 2018 na Suécia, teve inúmeros desdobramentos e se espalhou por diversas ONGs pelo mundo
por Clima em Ação. Publicado em 30 de outubro de 2021
Com o lema “é agora ou agora”, o Fridays for Future Brasil (sexta-feiras pelo futuro) é um movimento popular formado por jovens em idade escolar que estão em busca da justiça climática e socioambiental. A mobilização foi inicialmente criada pela jovem ativista sueca Greta Thunberg, de 16 anos na época, no ano de 2018, quando em uma sexta-feira, faltou à aula na escola para protestar sozinha em frente ao parlamento sueco pedindo pela contenção das mudanças climáticas.
Greta decidiu seguir fazendo greves todas as sextas-feiras até que os políticos do país assegurassem a contenção do aquecimento global em um nível seguro, bem abaixo dos 2 Cº, aumento que tornará as mudanças climáticas irreversíveis. Ao longo de três semanas, todos os dias, Greta repetiu o protesto e compartilhou suas ações nas redes sociais. Iniciou-se ali um movimento de mobilização que resultou numa greve pelo clima.

Greve de protesto contra a mudança climática global. Banco de imagens. Foto por Markus Spiske
Com este ato solitário, Greta viralizou nas redes sociais e se tornou o nome mais falado quando o assunto são as lutas para barrar o aquecimento global. Após a viralização da mensagem de Greta em 2018 e 2019, milhões de jovens e adultos conheceram a urgência climática e protestaram em milhares de países de todo o mundo cobrando ações de governantes. As hashtags #FridaysForFuture e #Climatestrike se espalharam rapidamente e muitos estudantes se uniram ao movimento.
“Quando a escola começou em agosto daquele ano, decidi que bastava. A Suécia tinha acabado de passar pelo verão mais quente de todos os tempos. A eleição estava chegando.Ninguém estava falando sobre a mudança climática como uma consequência real do nosso modo de vida. Então, decidi sair da escola e sentar-me no chão do lado de fora do parlamento sueco para exigir que nossos políticos tratassem a mudança climática como ela é: o maior problema que já enfrentamos.”, reprodução das aspas de Greta Thunberg e Fridays for Future Brasil.
O ativismo de Greta Thurberg se espalhou em todo o mundo e o movimento Fridays for the Future agora existe em diversos países. Formado por jovens que lutam para barrar a crise do aquecimento global, eles (as) realizam diversas ações em prol do meio ambiente e cobram respostas de quem está no poder.
Hoje, Greta Thurberg não é apenas a mais jovem porta-voz pelo enfrentamento das mudanças climáticas, mas a maior porta-voz do movimento. Ela discursa pautas climáticas na ONU (Organização das Nações Unidas), influencia uma geração, além de ter popularizado a pauta das mudanças climáticas ao redor do mundo.
O poderoso discurso de Greta na ONU em setembro de 2019, ao lado de mais 15 jovens ativistas, criticou a falta de governos de todo o mundo, inclusive o Brasil, pela devastação da Amazônia. Greta também alertou sobre o futuro com perigos climáticos e denunciou países que não se comprometem com a pauta de reduzir as emissões de carbono para barrar o aumento catastrófico da temperatura na Terra.
Fridays for Future Brasil
O Fridays for Future Brasil é um coletivo de centenas de jovens adolescentes ainda na escola que mobilizam pautas importantes, cobram ações governamentais e lutam pelo futuro climático do país. Eles já mobilizaram famosos como Carolina Ferraz, levantaram fundos de mais de um milhão de reais através de campanhas online para Manaus durante a crise da falta de respiradores durante a COVID, foram a primeira organização jovem a protocolar uma carta contra uma agência governamental, são responsáveis pelo SOS Amazônia, dentre outros projetos como:
Escolas pelo futuro - Busca levar a pauta contra a crise climática para a sala de aula, e assim tornar o assunto presente no currículo escolar.
Aldeias pelo Clima - Projeto apoia as comunidades indígenas de todo o Brasil e do mundo, valorizando sua cultura e diversidade com ações, greves e campanhas de arrecadação pelos direitos indígenas
Zero Carbono - Projeto realizado em parceria com o Instituto Arayara, com o objetivo de lutar contra os combustíveis fósseis e assim promover uma transição energética mais justa.
Climate Live Brasil - Um conjunto de shows que ocorrerão simultaneamente em mais de 40 países, que visa promover a consciência acerca da crise climática, engajar jovens para o movimento climático e empoderar o público para pressionarem as lideranças globais.

Ajuda Pantanal - Combate incêndios e apoia as comunidades tradicionais do Pantanal, com foco em preparar e investir brigadas de incêndio para ajudar a fauna e flora, além de criar um fundo emergencial para auxílio de comunidades tradicionais.


Grupo em prol do projeto Aldeias pelo clima. Foto por Fridays for Future
O Clima em Ação conversou com os jovens ativistas de 16 a 24 anos, Luiza Barenco, Mikaelle Farias, Kaio Duarte, Gabriel Mendes e Marcos Alves do Fridays for the Future Brasil e ficou impressionado com a potência e ações da nova geração na luta ambiental. Confira a entrevista:
Clima em Ação: Como surgiu o Fridays for Future Brasil?
Luiza Barenco: O Fridays for Future começou com a Greta tomando a frente na Suécia. Quando começou a divulgação, jovens do mundo todo começaram a cobrar posicionamentos imediatos não só dos políticos, mas dos tomadores de decisões em geral. No final de 2019, quando aconteceu a segunda greve global, nós nos consolidamos enquanto um núcleo nacional. Hoje, somos quase 200 ativistas jovens e estamos presentes em mais de 150 países do globo.
Em 2020, o relógio metronome em Nova York mostrou o exato tempo em que o aquecimento global se tornará irreversível: apenas 7 anos. O que nós cidadãos comuns podemos fazer para frear o avanço das mudanças climáticas?
Marcos Alves: Eu bato muito na tecla de que culpar os indivíduos por uma crise sistêmica é covardia. Isto foi criado por uma indústria petrolífera. É um engano pensar que a culpa da crise climática é somente deles. O que está acontecendo é uma crise sistêmica causada pelo externo. As mudanças são sistêmicas e não individuais. Você pode ser ativista de um movimento e se importar com essas causas, amplificar as vozes da juventude. Mas, tem que saber votar.
C.A: Há por parte do governo brasileiro uma certa negligência para as questões climáticas, além de um negacionismo de que o aquecimento global realmente é uma ameaça. Qual o perigo disso?
Gabriel Mendes: A fome é crise ambiental, crianças estão nascendo sobretudo em favelas com problemas respiratórios e tudo se intensificou com o Bolsonaro no poder. Ele insignificar a importância da pauta ambiental e invisibilizar a juventude que luta é um ato de insiginificar a crise ambiental. Nós sofremos as consequências. Não está tudo bem.
C.A: Quais são os impactos do aquecimento global para o Brasil? A questão social é impactada pela crise climática?
Mikaelle Farias: Eu moro na Paraíba e aqui tem o fator da desigualdade social e da desertificação. No relatório do IPCC saiu a possibilidade de que aqui vire um deserto até 2050 e eu fico pensando nas famílias, na falta de água da criação dos animais. O Nordeste passa por vários problemas por causa da seca, e isso tudo é alarmante.
C.A: Ainda dá tempo de reverter a crise climática? Se sim, o que deve ser feito?
Luiza Barenco: Temos que nos organizar enquanto movimentos e realmente ocupar os espaços que a gente tem que estar. A juventude é a última esperança do mundo e esse compromisso é da gente que entende quem somos diante do mundo e o que acontece. É o nosso compromisso com a Terra. Garantir o direito de permanência para os que ainda vão vir. A existência para os que já estão aqui. Resistência por aqueles que lutaram antes da gente. A história do Brasil é também demarcada por armamento e sangue. E esse sangue tem que ser valorizado. Nós somos a massa e é a massa que faz a mudança.
Para conhecer mais sobre o Fridays for Future Brasil, confira entrevistas com os ativistas em nosso podcast:
O Fridays for Future Brasil também conta com o apoio de um movimento extra que ocorre por todo o mundo, o Famílias pelo Clima (Parents for Future) formado por pais, mães e familiares que apoiam os movimentos dos estudantes. Mariana Menezes, co-fundadora do Famílias pelo Clima Brasil, conta que o movimento surgiu em 2019.
“O Famílias pelo Clima surgiu por conta do desespero de mães e familiares ao sentirmos o agravamento das mudanças climáticas, ao nos informarmos sobre a gravidade do problema e a falta de ação das lideranças mundiais diante dos problemas gigantescos, principalmente diante da contestação de como as mudanças climáticas vão afetar o futuro dos nossos filhos”, conta a ativista. “Foi essencial nos unirmos para formar um grupo que age para fazer pressão. Está na hora da sociedade civil se unir. A organização é fundamental para reverter a situação e proporcionar um futuro melhor para nossos filhos e a próxima geração”, finaliza.



Grupo Famílias pelo Clima em manifestação. Foto por Famílias pelo Clima

