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Brasil vive a pior crise hídrica da história desde 1930

O problema ambiental tem mexido com o bolso da população com o aumento das contas de energia e tende a piorar com aquecimento global 
por Clima em Ação. Publicado em 30 de outubro de 2021

A crise hídrica (falta de água para o consumo) é causada pela escassez de chuvas que faz com que os reservatórios de água e as hidrelétricas fiquem abaixo do necessário para suprir a demanda de energia de diversos setores da sociedade. 

 

Desde setembro de 2020, a crise tem afetado fortemente diversas regiões do Brasil, principalmente o sudeste. O semiárido do nordeste também é fortemente impactado pela situação. 

 

De acordo com dados do MapBiomas, a partir de 1990 o Brasil perdeu mais de 15% da superfície de água , sem contar o fato de que, as estações como o inverno e primavera, na qual as chuvas são menos comuns, agravam a situação de seca e estiagem. Desta forma, autoridades acabam optando pelo racionamento de água e, consequentemente, o encarecimento da energia.

 

A escassez de água e modificação no funcionamento das hidrelétricas, que estão funcionando com os reservatórios abaixo de 20% por conta da falta de chuvas, compromete a geração de energia e isso impacta setores da indústria, por isso ocorre o encarecimento.

Terra seca no nordeste. Foto por Piauí Hoje

A crise hídrica também é energética

Se as irregularidades das chuvas continuarem ameaçando o abastecimento, a conta de energia permanecerá cara e os impactos nos setores econômicos e industriais também. O engenheiro agrônomo Arisvaldo Mello, especializado em recursos hídricos, afirma que a falta de governança, falta de planejamento nos setores públicos e privados, falta de investimento, fim das políticas ambientais e gestão de recursos são os principais agravantes da crise hídrica no Brasil. “O setor elétrico é o que mais usa água para gerar energia e mais de 60% da energia usada é gerada a partir dos recursos hídricos. O setor depende muito das incertezas hidrológicas e é necessário dobrar o planejamento quando depende de incertezas e não há planejamento algum. O que não ocorre é o investimento das áreas do setor por parte do governo”.

 

O engenheiro explica que o uso da água para geração de energia é um setor bem competitivo, principalmente, “nas áreas irrigadas que são extensas, com muitos hectares. Cada setor tem que planejar suas atividades para ficar menos vulnerável às incertezas hidrológicas, principalmente no cenário da crise climática. A situação atual não é boa, o planejamento e investimento das áreas precisam ser urgentemente concretizados”.

 

A falta de planejamento não deveria ser um problema para o Brasil, afinal, os reservatórios estão sofrendo alta escassez e esvaziamentos desde 2015. E as estações cada vez mais secas, quentes e com menos chuvas, em decorrência do aumento da temperatura da terra, também estão cada vez mais recorrentes. 

As mudanças climáticas impactam o clima e consequentemente aumentam a seca e alteram a frequência de chuvas. Caso a temperatura da terra suba mais do que o mapeado e entre num estado irreversível da crise ecológica, alterações no clima e eventos ambientais extremos serão cada vez mais frequentes, como irregularidade de chuvas e secas intensas. 

 

Os danos ambientais relacionados às questões hídricas triplicaram desde os anos 80 devido à mudança climática causada pelo homem, principalmente o desmatamento e queimadas das florestas que aceleram o aquecimento global pela quantidade de gases tóxicos que são lançados na atmosfera e aquecem o planeta. 

 

A água é o elemento essencial para a vida, cultivo de alimentos, fabricação, indústria e saúde. A sua falta pode provocar grandes impactos como desigualdade social amplificada e guerras políticas.

 

Ao viver uma crise hídrica, é comum recomendações de “tomar banho rápido para salvar o planeta e gastar menos água no dia a dia”, e de fato essas atitudes podem ajudar, mas só 8% do gasto de água é residencial, 22% vem das indústrias e 70% do agronegócio. 

 

“A crise hídrica tem sim relação com as mudanças climáticas e o aquecimento global”, reforça o engenheiro. “A atividade antropogênica que o homem desenvolve no planeta afeta qualquer recurso natural seja no solo, na água ou na vegetação. Do ponto de vista climático os dados são incontestáveis, no âmbito global as coisas estão acontecendo de modo diferente desde o ano 1750. As variáveis climáticas têm se alterado e contribuído para que o ciclo hidrológico sofra alterações.Tudo tem a ver com o modo que o homem ocupa o solo, desmata para plantar, para construir ou para usar o recurso do solo e abandonar sem reflorestamento, tudo isso afeta balanços de energia que ocorrem no planeta. Quando se altera a condição natural é óbvio que as coisas vão acontecer de forma diferente. Em relação à crise hídrica é um desequilíbrio, com isso, no futuro, os extremos vão ficar cada vez mais extremos, com secas recorrentes ou muitas enchentes”, finaliza Arisvaldo. 

 Sem chuva há meses, a agricultura e a pecuária padecem. Foto por Egberto Nogueira 

O maior desafio para o Brasil frear o avanço e as consequências das mudanças climáticas está sendo observado na COP26 (26ª conferência das Nações Unidas de mudanças climáticas) entre o final de outubro e começo de novembro. É necessário que sejam traçadas políticas públicas ecológicas para acabar com os desmatamentos e queimadas, além de traçar um plano de recuperação da Amazônia e incentivar a economia de baixo carbono para reduzir as emissões nos próximos anos. 

 

O professor e pesquisador de economia ambiental, Lucas Lima, acredita que a melhor forma de combater as mudanças climáticas no Brasil é por meio da economia ambiental e isso incluiu a economia de baixo carbono. “A economia de baixo carbono se preocupa com a emissão de carbono, ela repensa investimentos nas indústrias para que sejam ecoeficientes. É necessário expandir para dinamizar melhor e isso pode trazer benefícios como reduzir o impacto da crise hídrica”.

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Oceano sem lei

Além da crise hídrica, outro fator que está sendo agravado pela ação do homeml são os oceanos, com a pesca de arrasto, a principal preocupação para o agravamento nas águas, a técnica consiste em usar redes que raspam o fundo do mar em busca de camarões para consumo, e outros animais.

Ao raspar a camada do mar, o gás carbônico é liberado na atmosfera, aumentando o efeito estufa e consequentemente a crise climática global.

 

A poluição também é um agravante, conforme explica Marcos Siqueira da Ong Vida & Surf “As praias estão repletas de resíduos que são reflexo do movimento do turismo e do próprio consumo nas praias, no entanto, o mais preocupante é que todo tipo de produto relacionado ao consumo humano podem ser encontrados dentro do no mar e todos esses resíduos podem resistir centenas de anos nos oceanos e sua degradação lenta e constante geram os microplásticos, quase impossíveis de serem removidos que prejudicam a fauna e flora, causando desequilíbrio nas águas. O que nos leva a entender que a administração dos lixos residenciais, independente da região geográfica pode resultar em contaminação dos oceanos. Esse desequilíbrio poderá levar a mais espécies em extinção, inclusive o ser humano”, finaliza.

Informações obtidas em MapBiomas, Greenpeace e BBC
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