top of page
Design sem nome_edited_edited.png

Avanço das mudanças climáticas traz possibilidades de novas pandemias globais

Os impactos do aquecimento global vão muito além de doenças pulmonares e biomas devastados. A crise climática também influencia em novas pandemias como a do Coronavírus 
por Clima em Ação. Publicado em 28 de outubro de 2021
fusion-medical-animation-rnr8D3FNUNY-unsplash.jpg

Visualização do vírus Covid-19. Banco de imagens / Fusion Medical Animation

O Coronavírus surgiu no final do ano de 2019 e a pandemia exigiu isolamento social, além de ocasionar em milhões de mortes que seguem acontecendo dia após dia.

No entanto, após quase dois anos, os índices e números de contágio diminuem ao redor do mundo com a aceleração da vacinação. Aos poucos, a vida dos bilhões de habitantes de todo o planeta, voltam à normalidade mesmo tendo a consciência de que novos protocolos de saúde e segurança deverão ser utilizados daqui pra frente.

Ainda assim, torna-se cada vez mais comum se deparar com questionamentos como “há a possibilidade de novas pandemias?” E a resposta é uma só: existe sim a possibilidade de novas epidemias e pandemias globais.
“Há uma relação entre pandemias e o aquecimento global. As mudanças climáticas podem ocasionar novas pandemias, pois provocam o deslocamento de espécies de animais e insetos que tradicionalmente não têm contato com humanos e carregam vírus e bactérias que não são comuns ao nosso organismo. Portanto, não possuímos células de defesa eficientes contra esses microrganismos, nos deixando vulneráveis a outras pandemias que, inclusive, podem ser ainda mais graves que a da Covid-19”, explica o médico infectologista Thiago Brumatti.

O aumento da temperatura da terra pelos gases de efeito estufa, o principal causador do aquecimento global, é resultado das mudanças climáticas nas quais a ação do homem tem 95% de responsabilidade, por meio do desmatamentos, queimadas intencionais, políticas ineficientes de enfrentamento à crise climática, perda da biodiversidade do planeta e muitos outros fatores.

 

O aquecimento da Terra também provoca o derretimento das geleiras, e junto com a perda da biodiversidade, esses eventos podem ser vistos como os principais precursores de novos vírus causadores de pandemias. Isso ocorre porque a catástrofe climática do derretimento das geleiras nos pólos da Terra libera gases tóxicos, além de muitos vírus antigos, ou seja, de outras épocas que ao entrar em contato com o corpo humano sem imunidade para tal, ocasiona novas doenças. 

 

Assim como a Covid-19 surgiu da mutação de um vírus de um morcego que adentrou as células humanas que não tinham imunidade para ele, os vírus oriundos dos gelos derretidos pelo aquecimento global podem causar novas pandemias. Aliás,  já são um risco mapeado por cientistas conforme a crise climática acelera e a temperatura da terra também.

“Para os vírus sobreviverem e se multiplicarem precisam de uma célula hospedeira. A partir do momento em que o vírus encontra essa célula dentro do organismo, ele transfere seu DNA para dentro desta célula onde será copiado diversas vezes. A mutação de um vírus ocorre justamente nessa fase de cópias, que podem torná-lo mais ou menos resistente aos tratamentos disponíveis”, explica o infectologista. “As condições climáticas podem sim contribuir para novas mutações, já que, a partir do momento em que elas podem ocasionar epidemias maiores, os vírus irão se replicar mais aumentando a chance das mutações acontecerem.”

Em dados divulgados pela organização Youth Climate Leaders em 2021, as concentrações de CO2 (gás carbônico), CH4 (metano) e N2O (óxido nitroso), os três principais gases de efeito estufa em mistura na atmosfera, são as maiores em 800 mil anos. Cada aumento adicional do aquecimento global acarreta no aumento da frequência de ondas de calor que afetam a biodiversidade.

Os impactos do aquecimento global vão muito além de doenças pulmonares e biomas devastados. Thiago afirma que além de doenças pulmonares, há também a influência negativa na saúde pelo aumento da poluição, diminuição da camada de ozônio e consequente aumento da incidência de raios solares nocivos a saúde que provocam um maior número de alguns tipos de câncer de pele.

Design sem nome_edited_edited.png

Proteção do vírus Covid-19. Banco de imagens / Foto por Gani Nurhakim

O especialista afirma que as enchentes e queimadas em diversos locais do planeta colocam em risco a vida humana por diversas razões, como o aumento de doenças infecciosas transmissíveis. “Podemos citar exemplos comuns ao nosso país, como a dengue e a chikungunya que por serem doenças provocadas por mosquitos que utilizam reservatórios de água parada para botarem seus ovos. A alteração dos padrões de chuva influencia diretamente na proliferação destes insetos. O consumo de fontes de água inadequadas também traz um sério risco para o aumento de doenças infecto contagiosas, como por exemplo a Hepatite, a Cólera e a Leptospirose”, ressalta.

 

Quando questionado sobre quais doenças podem surgir com o não enfrentamento das mudanças climáticas, Thiago responde: “É difícil afirmar quais são as doenças, pois muitas delas ainda são desconhecidas aos cientistas, mas com certeza, caso as mudanças climáticas não sejam urgentemente controladas, iremos sofrer graves consequências a médio e longo prazo, especialmente no que diz respeito a doenças infectocontagiosas, como o próprio Covid, Ebola, Dengue e tantas outras.”

Tags relacionada:
Notícias relacionadas
Design sem nome_edited_edited.png
Design sem nome_edited_edited.png
  • Branca Ícone Instagram
  • Branca ícone do YouTube
  • Branca Ícone SoundCloud
bottom of page