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Autêntica e Inspiradora: Documentarista Thais Lazzeri fala sobre seus desafios de uma carreira marcada pela coragem e diversos prêmios

por Clima em Ação. Publicado em 05 de novembro de 2021
Thais Lazzeri é jornalista, repórter investigativa, roteirista e editora multimídia. Com 14 anos de experiência em investigações, ganhou 12 prêmios de jornalismo e é autora do livro “500 gramas de vida - a luta dos bebês prematuros pela sobrevivência”.

Com todo seu carisma e sensibilidade, Thais conta suas experiências com o jornalismo e a oportunidade de contar diversas histórias que mudaram a vida de alguém, como: a mãe solo de uma criança com sequelas do zika vírus com pouquíssimos recursos que teve a vida transformada por doações depois da publicação de seu depoimento; os jovens que a procuraram para contar que viram o documentário sobre mudanças climáticas e tornaram-se ativistas do clima; o pai que atravessou o país em busca do filho desaparecido e, graças à repercussão da história, descobriu o paradeiro do rapaz, e, as muitas denúncias sobre violações de direitos humanos que provocaram várias investigações.

Thais Lazzeri. Arquivo pessoal

Preocupada com os direitos humanos desde a sua adolescência, enquanto escutava as inúmeras histórias de seu avô Sr. Rubens, pintor de vagão de trem, que doava um dia do mês para acolher homens em situação de rua. Ele abria as portas de sua casa e fazia a barba, as unhas, dava roupas novas costuradas por sua avó, e ajudava a pessoa que precisava na busca de empregos.
 

A documentarista ainda lembra que aos nove anos de idade, seu avô ficou gravemente doente e precisaria amputar as pernas. Então, sua família decidiu se mudar para a casa dele a fim de ajudá-lo. Porém, a doença o levou antes. 
 

Certo dia, um casal com filho pequeno tocou a campainha procurando por ele e quando souberam que havia falecido, o rapaz desabou a chorar, pois queria agradecer pelo que o avô dela tinha feito pelo pai dele. Ali, ela entendeu o seu lugar no mundo e decidiu que usaria seu trabalho para dar protagonismo a vozes apagadas da nossa história e criar pontes. Essa jornada a guiou em 13 anos de trabalho em redações e, depois, fora delas.
 

Tentou transformar o prédio em que mora em um laboratório para universidades de urbanismo e arquitetura, onde entraria com os recursos financeiros, o intuito era promover impacto nas grandes metrópoles. Infelizmente não foi possível devido a nenhuma universidade retornar-lhe. Em casa, reduziram o consumo de carne, separam o lixo para reciclagem e dão preferência ao transporte coletivo. Para Thais, “a consciência socioambiental não nasce com a gente, precisamos ouvir e falar sobre isso dentro de casa, na viagem, através de livros ou aplicativos que contam histórias de árvores.”.
 

Em 2018, dirigiu e produziu o documentário “O amanhã é hoje – o drama de brasileiros impactos pelas mudanças climáticas”, lançado em dezembro, no espaço Brasil da COP 24 e gerou grande repercussão pelo mundo. O desafio durante esse processo foi na pré-produção, em que o primeiro elo com a equipe começa a ser construído com ética e respeito. Precisava planejar e organizar as gravações em múltiplos destinos com a mesma equipe em um curto período e tudo foi realizado à distância, sem conhecer pessoalmente.

Confira o teaser:
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Ela explica que o intuito era apresentar aos brasileiros a urgência de tratar a mudança climática no presente, pois é uma crise em curso sem precedentes que já impactou a vida de brasileiros na cidade, campo e floresta. O documentário mergulha em seis histórias de brasileiros em diferentes situações socioeconômicas que sofreram impactos emocionais, financeiros e socioambientais. Mostrar os impactos profundos e as cicatrizes que as mudanças climáticas estão deixando na vida dos brasileiros. Para ela, “entrar na vida de alguém é sempre um desafio e um presente”. É a história do outro, mas também a nossa história. E vai acontecer no presente, não no futuro.

Lazzeri acredita no poder de cada pessoa para inspirar e mudar o mundo e complementa dizendo que todos somos capazes de provocar impactos socioambientais positivos, mas para isso, precisamos refletir e pensar juntos, em caminhos sustentáveis capazes de potencializar essa agenda.

Atualmente, toca o projeto na “Fala – histórias para não esquecer”, trata-se de uma produtora de conteúdo e de filmes em direitos humanos, meio ambiente e democracia fundada em 2020 pela mesma, com o objetivo de criar ou abraçar produtos que serão pensados dentro de um ecossistema de impacto, com projetos específicos que visam alcançar uma estratégia, em jornadas de empatia para a mudança que desejamos alcançar. A crise climática está em todos os projetos em andamento.

Para finalizar, Thais comenta que é imprescindível defendermos o conhecimento e a ciência, que estão sob ataque; cobrar dos governos ações concretas, e, claro, conhecer as propostas dos candidatos antes de votar.
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